Dou para que me dês, tudo é reciprocidade!

Tratamos bem os nossos Deuses? De que forma agradecemos aos seres e forças que nos prestam auxílio? Como saber se estamos fazendo o correto?

No passado as deidades eram honradas com o melhor sempre, o que havia de mais belo e imponente era ofertado nos altares e lugares sagrados. Com a marginalização do culto aos Antigos, o ato de ofertar teve que adaptar-se para que não atraísse a atenção dos inimigos da antiga fé. Todavia mesmo com o resgate das práticas religiosas de outrora, a qualidade das oferendas passou a ser cada vez pior.

Entre as desculpas mais populares para isso, destaco a que mais me causa irritação, “o que vale é a intenção”. Claro que a intenção tem papel fundamental em tudo que diz respeito ao contato com o Sagrado, pois de nada adianta suntuosidade sem comprometimento com o ato realizado. Entretanto tal argumento é utilizado de forma errada, se pedimos aos que cultuamos o melhor para nossas vidas, como não tratá-los da mesma forma? Se o nosso melhor é um vinho modesto e uma maçã, sem sombra de dúvida a oferenda será recebida de bom grado. Pois é ai que reside um ponto importantíssimo do relacionamento dos Deuses conosco. Mais importante do que o ato, é a intenção por trás dele. Então como pode não ser a intenção honrá-los da forma mais apropriada dentro de nossas condições?

Por via de regra nunca sirva algo que você não consumiria, a bebida e a comida devem ser tão boas ou até melhores do que aquelas da qual nos servimos.  Se bebemos vinhos de 50 a 100 reais, mas ofertamos os de 10, o que tem de errado nisso? Nosso melhor em pouco tempo passará a ser o vinho de 10, afinal onde está a reciprocidade para com aqueles que nos brindam com prosperidade? Procurem também buscar conhecer mais sobre as divindades, sobre as sociedades que as cultuavam, para que as ofertas sejam mais de seu agrado. É aqui que a regra tem sua exceção, podemos não gostar de algumas coisas, mas elas podem ser apreciadas e muito por aqueles que com quem trabalhamos. Um vegano não é obrigado a servir oferendas de carne, desde que encontre outros elementos que apeteçam aos Deuses. Contudo tentar impor sua dieta é tão desrespeitoso quanto seria o contrário disso. Em outras palavras, nada de proteína de soja para divindades que recebiam sacrifício animal. Respeitem se almejam o mesmo. Antes de escolherem a quem honrar, procurem conhecer as deidades, afinal se alguém deve moldar-se nessa relação somos nós a elas, nunca o contrário.

Os Deuses merecem o nosso melhor, não a esmola que lhes tem sido dada por ignorância daqueles que os cultuam.

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Photo By: Aline Harnisch
5 Discussions on
“Dou para que me dês, tudo é reciprocidade!”
  • Ótimo post, como sempre! Só uma dica quanto a formatação do site: a fonte das publicações é um tanto clara ou “fina” demais e algumas vezes não se sobressai tanto em relação ao fundo.

    • Olá Ícaro! Muito obrigado pelo elogio, ficamos felizes em ter esse retorno positivo do nosso trabalho. A respeito do layout, iremos estudar possibilidades para melhorar a visualização.

      Abraços.

  • Apenas uma contribuição: veganismo pressupõe a dieta vegetariana estrita (sem nada de origem animal), mas não se restringe a esta dieta; o vegano abole o uso de produtos de origem animal para todo e qualquer fim (alimentação, vestuário, cosméticos, entretenimento, arte, religião). Por isso tomar parte em assassinatos rituais jamais será uma opção para um pagão vegano, pois esta não é uma questão dietética, mas ideológica.

    Parabéns pelo site e pelos trabalhos compartilhados.

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