HIGIENE ESPIRITUAL: Você tem feito a sua?

Poderia expandir o tema para que o presente artigo fosse aplicável a adeptos de qualquer espiritualidade. Entretanto, não possuo propriedade alguma para falar de espiritualidade àqueles que percorrem caminhos alheios aos meus e por isso irei limitar o aqui exposto aos adeptos do Paganismo, Neopaganismo, as muitas vertentes da Bruxaria e da Magia.

O termo “higiene espiritual” me surgiu como um insight no meio de uma conversa que estava tendo com um de meus melhores amigos. Higienizar significa sanificar, descontaminar, despoluir, tornando algo saudável e limpo. Um de seus sinônimos “sanear” ainda significa cuidar, sanar, sarar, consertar, tratar, conservar, renovar, pacificar, corrigir e melhorar. Em palavras mais claras, pode-se dizer que estar com sua higiene espiritual em dia, significa estar constantemente conservando e cuidando de sua própria espiritualidade, sarando seus aspectos negativos, tratando, melhorando e conservando sentimentos positivos, fomentando a pacificação, corrigindo-se naquilo que se está obsoleto, estando sempre aberto à renovação – afinal, aquilo que não se renova, não muda e jamais renasce está fadado ao total esgotamento e inexistência.

Não é de hoje que encontramos pessoas tidas como renomadas no “cenário brasileiro pagão e mágico” << detesto esses termos >> latirem como cães raivosos aos novatos ou pessoas que não sigam os mesmos parâmetros que os seus para trilhar determinado caminho. Eu até sirvo de exemplo nesse sentido, pois no passado, já agi como uma cadela mandada pelos “grandes nomes” do Paganismo e lati muito para os outros. Bem, com a Graça dos Deuses, livrei-me dessa fase há anos e hoje constato que naquela época não mantinha minha higiene espiritual em dia. Quando vejo os mesmos cães espumando ódio, disseminando a discórdia, acusando uns aos outros dentro de uma comunidade (pagã) que já é pequena, percebo que eles não estão em dia com sua higiene espiritual em dia – aliás, que sequer sabem o verdadeiro significado de espiritualidade e confundem-na com um trampolim para fama, poder, menosprezo ao próximo e afirmação de suas verdades como absolutas para o mundo << WHAT A HELL I’M DOING HERE, PLEASE!? >>. Sim, eu infelizmente sinto vergonha muitas vezes pelo fato dessas pessoas se denominarem pagãs e tenho pavor de ser confundido com elas.

É isso ou é aquilo!?

Afinal Paganismo é cultura espiritual ou um campo de guerra repleto de vadias e vadios querendo matar uns aos outros? Sem querer parecer com eles, ditando o que é e o que não é, mas simples e humildemente como mero adepto, penso e sugiro que Paganismo seja a primeira opção. E creio que seja, pelo óbvio, não porque assim penso.

Num interessante debate realizado em 2013, na primeira edição do Dia do Orgulho Pagão – Curitiba/PR, o qual tive a honra de prestigiar, presenciei vários adeptos de diversos caminhos pagãos diferentes dando suas próprias definições a respeito do que é e do que não é Paganismo. Curiosamente, o resultado obtido a partir do debate, foi percebermos que é muito mais fácil definir o que o Paganismo não é, do que aquilo que ele é << Com a Graça dos Deuses todas as pessoas presentes estavam com sua higiene espiritual em dia! >>. Percebi que ousado e impertinente é aquele que tenta definir algo como sendo uma verdade única, impessoal e absoluta, principalmente no que diz respeito a Paganismo, isto é, caminho este tão amplo e diverso, uma árvore que possui centenas de galhos e centenas de flores e milhares de folhas. É claro que podemos esboçar pequenos textos explicando aos leigos o que é Paganismo, religiões pagãs etc. e tal, mas uma folha não pode determinar o que as demais folhas são, muito menos ditar sobre seus galhos e menos ainda sobre a árvore inteira!

Cada Macaco no Seu Galho

“O Fundamento de cada Casa, não se discute, se respeita! Que cada um cozinhe com suas panelas.” – Pai Ubirajara d’Oxóssi.

Vi a frase acima exposta no Facebook e atribuída a um Babalorixá e a guardei comigo. E pelo menos dentro da minha experiência mágica de viver o Paganismo – a Bruxaria no meu caso, mais especificamente – considero que essa frase se aplica perfeitamente ao “cenário pagão brasileiro” << eca! >>. Ou pelo menos deveria se aplicar…

Se cada um cuidasse de seu próprio rebanho, matilha, horda, covil, manada etc. e principalmente de si mesmo, antes de tentar detonar o vizinho, viveríamos a experiência da espiritualidade pagã em um ambiente sadio e livre da constante contaminação que parte para cima de novatos e leigos, a partir da falta de higiene espiritual dos nossas “estrelas” e exponentes  que se consideram os únicos líderes e porta-vozes de nossa espiritualidade no Brasil. << eca, novamente! >>.

Cuidar da Sua Espiritualidade é Cuidar da Sua Própria Vida

“Se cada um cuidasse da sua própria vida como cuida da dos outros, o mundo teria bem menos gente frustrada, fracassada e mal-amada. Pois estas só são assim porque a vida alheia lhe é mais interessante que a sua.” – Geovani Rodrigues.

Que tal tentarmos listar alguns sintomas causados pela falta de higiene espiritual no Paganismo? É só uma tentativa, não custa tentar, né? Que pelo menos sirva de reflexão para que cada um de nós possamos tirar nossas próprias conclusões.

Os Mais Graves Sintomas da Falta de Higiene Espiritual

  • Bajulação excessiva por alguém;
  • Dizer ser ou ter um “mestre”;
  • Afirmar o que determinada prática é e fazer disso dogma inquestionável;
  • Não ter consciência de que sua perseguição sobre pessoas que discordam de você, além de gerar desconforto para o perseguido, o gera para toda comunidade;
  • Fazer fofoquinhas mentirosas inbox: “o fulano obrigou beltrano a transar com ele em troca de iniciação com a anuência de sicrano”;
  • Estar constantemente na vitrine como protagonista e/ou coadjuvantes de brigas e barracos;
  • Não aderir à uma causa realmente válida e digna, só porque não foi você ou seu grupo que tomou a frente;
  • Deixar de arrumar seu altar para bater boca em comunidade do Facebook;
  • Ter um ambiente de trabalho mágico sujo, mal cuidado ou até inexistente, em detrimento de sustentar uma excelentíssima imagem de perfeição e genuinidade à sua comunidade;
  • Dizer que serve caviar aos Deuses, quando na verdade oferece bebida ou comida mais barata da que serve para família;
  • Necessitar da validação de outra pessoa, casa ou tradição para sentir-se digno;
  • Criar Iniciadores fictícios e ostentar a representação de uma “tradição” (quase sempre europeia e que não se pode manter contato) que possui mais de 500 anos;
  • Fazer perguntas para si mesmo no Ask.com e compartilhá-las no Facebook para causar polêmica;
  • Imitar, copiar e reproduzir palavras, ideias e/ou gestos, sem dar os devidos créditos;
  • Não conseguir enxergar que o trabalho do outro, apesar de diferente, também pode ser válido;
  • Achar que tudo aquilo que vem de seu inimigo é definitivamente ruim;
  • Ter asas e não saber voar.
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