Divagações da Alma Bruxa

A bruxa possui em seu interior o fogo transformador. Nela arde a chama do desejo. A bruxa seduz ou reduz com o olhar, suas palavras tem o dom de instigar ou oprimir. Ela é toda magia, veículo de uma volúpia que não pode ser contida. Há prazer e dor nas contrações que expressam seu ofício.

E de onde vem tal poder? Nasce da excitação, não necessariamente sexual, que provoca a agitação e a perturbação, condição que a faz tocar o âmago, tornado-a uma com suas emoções, essas sim os verdadeiros instrumentos da arte dos proscritos.

O Dom de criar é dádiva do sangue, nem sempre de origem animal, já que como o mesmo nutre o corpo, a água nutre a terra. É um poder fluido como o elemento que rege as emoções, o mar das almas que guarda o legado feiticeiro.

A vontade é a força soberana que confere a dimensão e intensidade daquilo que é feito através do olhar, da dança ou das palavras. A bruxa grita e gargalha ao trabalhar, contudo o que há de ser temido de fato não é seu esbravejo e sim o seu sussurro.

O sussurro da bruxa é a força que atrai o rio para o mar, o homem para o luar e a presa para o altar.

Portanto, ao trabalhar magia, tenham sempre a vontade como espada e a certeza como escudo, pois se uma é impulso criador, a outra é o poder mantenedor da força conjurada. A dúvida destrói o que a vontade cria, só a certeza tem a qualidade de fazer germinar a semente plantada.

Compartilho com vocês uma poesia que para mim ilustra bem parte da alma bruxa.

Dissipa

Quem pode dizer o que habita em mim

Se muitas vezes moro fora da carne

Viajando entre realidades

Tolo é aquele que insiste na afirmação

De que sou dessa ou daquela forma

Quando na verdade só existe a reforma

Daquilo que feliz desconstruo

Se querem me definir o caminho posso indicar

Sou um dia passado

Hora e local errado

Em que o pecado a Deus apeteceu

Doce que a boca amarga

Risada inapropriada

Chama de Prometeu

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